Ilha de Paquetá PQT - Ponto de Mídia Livre

Capela na Ilha de Paquetá

Santo Padroeiro da Ilha de Paquetá

Dia de comemoração: 16 de agosto

Fotos Raras

Foto antiga do Poço de São Roque

A Primitiva Capela de São Roque.

Capela primitiva de São Roque em Paquetá

Foto antiga do Poço de São Roque.

Interessante observar que a futura Praça de São Roque ainda era cheia de mato.
Fonte: Reproduzido de Tabet, Sérgio & Pumar, Sonia - O Rio de Janeiro em antigos cartões postais. Livro: Paquetá, memórias da Ilha, Coleção Bairros Cariocas - Lia de Aquino Carvalho e Sonia Zylberberg - DGPC, Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Rio

O que nos conta a História...

Igreja de São Roque - Frontal - Entrada Principal O Padre Manoel Antonio Espinho estava muito feliz naquele dia de 29 de dezembro de 1697. O Governo de Lisboa acabava de conceder-lhe o necessário Provimento para a fundação da capelinha consagrada a São Roque, na Ilha de Paquetá. Esta é data histórica oficial mais antiga que temos de referência sobre a Capela. A primeira missa foi oficiada em 24 de novembro de 1698, conforme A.G. Pereira da Silva. no livro Memória Histórica da Ilha de Paquetá.

Não há registro da data de construção da primitiva Capela de São Roque; consta que foi demolida em princípios do Séc. XX; sua reconstrução foi iniciada em 1905 sob a direção do arquiteto Miguel Bruno e concluída em 1911.

A primitiva capela, havia sido construída em propriedade particular, na Sesmaria de Inácio de Bulhões que naquela época era certamente o ponto mais habitado da Ilha. Posteriormente, boa parte daquela imensa propriedade converteu-se na Fazenda São Roque.

A Capela também foi palco de tragédia histórica. Na Revolta da Armada em 1893, ocasião em que a comunidade paquetaense da época viveu dias incertos e de triste lembrança, a capela foi transformada em necrotério. (vide capítulo Aspectos da Revolta da Armada, neste livro) Os corpos dos combatentes eram transportados para Paquetá e colocados na Capela até que se lhes desse sepultura.

O prédio estava quase em ruínas necessitando mesmo de ser reconstruído. Havia ficado em lamentável estado de conservação após a saída dos revoltosos. Foi em 17 de agosto de 1902 que o Dr. José Carlos de Alambary Luz, então proprietário daquelas terras, doava a plena posse da Capela de São Roque com todos os direitos ao Arcebispado do Rio de Janeiro.

O Padre Juvenal David Madeiro liderou a campanha para angariar fundos destinados à reconstrução do templo. Realizou quermesses beneficentes, recebeu diversos donativos da comunidade e em 1905 iniciou as obras, mas não chegou a vê-lo reformado, pois faleceu em 1908.

A igrejinha primitiva externamente, conta-nos Vivaldo Coaracy, assemelhava-se muito à construção atual. “Havia contudo uma escada exterior para acesso ao coro. No meio da escada, num patamar, a porta de ingresso à tribuna reservada aos donos da fazenda . No interior, dividia-se a nave em duas seções separadas por um muro baixo sobre o qual se erguia uma grade de varões de ferro.”

Conta Vieira Fazenda, que ainda as viu na capela primitiva: “haviam pequenas placas de madeira lavrada cobrindo de alto a baixo as paredes da sacristia. Cada uma delas registrava, em expressões singelas, uma cura milagrosa ou graça especial que a fé simples e sincera atribuía à intervenção de São Roque. Oferendas de cera, geralmente de formas anatômicas, como atestados de curas conseguidas. As promessas eram geralmente pagas por ocasião da Festa de São Roque, dia 16 de agosto.” Conta-nos ainda Vivaldo Coaracy que ” vinham de longe romeiros pagar promessas em reconhecimento de graças e favores obtidos por intercessão de São Roque.”

O Pintor Pedro Bruno, em honra ao Santo, pintou a famosa tela que se encontra até hoje sobre o Altar-Mor. É São Roque, junto ao seu Poço, tendo ao lado seu cão amigo. O quadro foi inaugurado em 16 de agosto de 1928 e, pela data, vemos que se tratava da ocasião da Festa do Padroeiro. Este ano de 1998, o quadro faz seus honrosos 70 anos a inspirar quem ali vai orar.

A Capela de São Roque, por suas linhas coloniais, sempre guardou o ar da mística santidade e da barroca simplicidade, entretanto, celebrizou-se mais em conseqüência direta do prestígio do Santo.

Capela atual de São Roque - Vista da Lateral

Foto atual da Capela de São Roque, vista pela lateral. Também é visto o cruzeiro de São Roque, em frente a entrada da igreja.

1808 - A VISITA DO PRÍNCIPE REGENTE

(fonte: Augusto Maurício, livro O Solar Del Rey, 1949)

Não se sabe o dia certo, (ora, Paquetá ...) mas certamente foi num fim de tarde, em fins de 1808.

Eis que estava a pacata população paquetaense envolvida em seus afazeres vespertinos, bem quietinha em casa pois estava chovendo a cântaros, quando de repente, aquela gritaria e alvoroço, com todos correndo para a praia, não acreditando em que seus olhos viam: Sua Alteza Real, D. João de Bragança, Príncipe Regente do Brasil, Portugal e Algarves estava ali em pessoa, todo molhado, tremendo de frio, dando Graças a Deus por ter chegado aqui são e salvo, depois de uma arriscada travessia que sua galeota fizera, saindo da Ilha dos Maracajás (Governador) em direção a Magé, onde iria aportar. Só que o vento sudoeste bateu mais forte, encapelando furiosamente o mar e quase virando a embarcação. O jeito foi remar até a praia mais próxima, no caso, na Ilha de Paquetá.

A população exultava de admiração. Logo acorreu o Sr. Francisco Gonçalves da Fonseca, um próspero comerciante da época, proprietário de uma bela mansão na então Rua dos Muros (hoje Rua Príncipe Regente), que ofereceu pousada à Sua Alteza. Dom João aceitou o convite e logo montava numa carruagem que foi colocada à sua disposição, passando pelo povo que lhe formava alas e acenava lenços, aclamando-o.

Chegando ao Solar dos Fonseca (hoje Solar Del Rey), saltou da carruagem e montou numa liteira que o transportou pela íngreme subida que dá acesso ao Solar. Passou ali a noite, após um lauto jantar cujo cardápio foi de frangos assados na lenha, bom vinho local e doce de coco.

No dia seguinte estava fazendo uma daquelas esplêndidas ma-nhãs paquetaenses, com um lindo céu azul e calor, em nada lembrando a tempestade da tarde anterior. Conduzido a um passeio pela Ilha, D. João encantou-se de tal maneira por Paquetá que a elegeu como seu lugar preferido de vera-neio.

De fato, muitas e muitas vezes voltou o Príncipe Regente a Paquetá, mesmo depois de ter sido coroado como o Rei D. João VI e, durante o tempo em que aqui estava, vinham da Corte os Ministros do Reino para despachar assuntos de Estado. As reuniões do Gabinete Real aconteciam naquela casa que existe até hoje, em frente ao Solar Del Rey. A curiosidade deste fato é que a Ilha de Paquetá, nestas ocasiões, transformava-se virtualmente no centro do comando do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves!

A Academia de Artes Ciências e Letras da Ilha e Paquetá imortalizou D. João VI como Patrono da Cadeira nº40.

Fonte:

Acervo do Projeto Pró-Memória da Ilha de Paquetá:
Autor: Jacques Azicoff
contato: Jacques Azicoff através do Facebook